18 de abr de 2012

JOSÉ REINALDO LIVROU-SE DE LAIO MAS NÃO CONSEGUIU DECIFRAR A ESFINGE

Por nosso truta Conrado Vitali, em seu blog
Faça-se justiça. O ex-vereador e atual chefe de gabinete do governo guairense, José Reinaldo dos Santos Júnior, fez o que seu chefe (de direito; não de fato), o prefeito José Carlos Augusto, jamais teve coragem : matar simbolicamente o pai político para seguir, “livre”, o próprio caminho. Apadrinhado do ex-prefeito Aloizio Lelis Santana, que o introduziu no universo político, José Reinaldo teve o “timing” correto para livrar-se da influência opressora de Aloizio, rompendo com ele no tempo certo. Na verdade, estava muito claro que não havia outra saída. O estilo dominador do ex-prefeito e sua paranóia controladora sempre foram capazes de sufocar personalidades relegando-as a um papel coadjuvante (não me surpreenderia se algum filho seu precisasse de terapia para suportar o peso da mala – ou “do mala”). Um dos exemplos clássicos da doença controladora de Aloizio foi o livro sobre a história de Guaíra escrito pelo atual secretário de Cultura, Marcelo Freitas. A obra teve Aloizio como mecenas político e apesar de trazer bons e memoráveis registros históricos, parou, não por acaso, na última gestão do ex-prefeito, deixando de fora toda a rica e conturbada história recente do município (Aloizio não iria apoiar um livro que mostrasse que depois de sua época existiu vida inteligente na cidade). Voltando ao rapaz que se achava de Corinto, o problema é que José Reinaldo, apesar de superar o conflito edípico, teve dificuldades, na sequência, em decifrar o enigma da Esfinge na entrada de Tebas. Depois de providencialmente matar “Laio”, José Reinaldo não teve o mesmo refinamento intelectual de Édipo. Parou na entrada de Tebas por não conseguir entender – apesar de, pretensioso, achar que sabe tudo sobre o assunto – o segredo do monstro da política e sua cabeça de mulher num corpo de leão. Costuma ser fatal. Começar bem na política e parar pra cagar no meio do caminho é um convite ao atropelamento A Esfinge bem que deu seus sinais na tentativa de dar uma ajudinha. A derrota nas últimas eleições municipais mostrou que José Reinaldo cometeu algum erro no percurso. Foi um Édipo no início mas deixou-se transformar , ainda na metade do caminho, num Sísifo, personagem da mitologia grega (genialmente explorado por Albert Camus) condenado a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra de uma montanha até o topo, só para vê-la rolar para baixo novamente. Nessa perspectiva, até a covardia de seu chefe mostrou-se mais produtiva, ainda que premiada pela sorte. José Carlos, que nunca teve saco roxo para ser um Édipo e “assassinar” Minininho , acabou prefeito. Muito embora tenha entrado em Tebas pela porta dos fundos, José Carlos conseguiu ser o que José Reinaldo parece estar fadado a apenas desejar. É a pedra que insiste em rolar montanha abaixo. A impressão que se tem é que o garoto promissor descoberto por Aloízio, e de quem se livrou no tempo correto, perdeu o astrolábio enquanto caminhava. Salvo do ostracismo por um político fraco, paga o castigo imposto pela Esfinge, sempre impiedosa: achar que pode levar a pedra até o cume sem que ela role para baixo. Vai continuar achando.

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