9 de abr de 2012

Por nosso amigo Conrado Vitali, em seu blog


Vai ser vice nestas eleições ? Então esteja preparado para ser, na verdade, o animal de tração da coligação; o quadrúpede convidado para puxar votos para o candidato principal. Se tudo der certo, já no poder, você vai ganhar algum brinquedinho para se distrair enquanto o seu companheiro, aquele cabeça de chapa que fez juras de amor a você, realmente governa. O vice é uma excrecência do sistema republicano; é uma espécie de peça sobressalente, muita vagabunda, que fica repousando numa prateleira empoeirada do almoxarifado do poder. Só a procuram quando a peça original quebra ou some. Se existisse algum governante sincero (se você conhece algum, o indivíduo provavelmente é de Plutão e está entre nós disfarçado de terráqueo) ele, ao apresentar seu vice em qualquer encontro, diria : "esse é o fulano,meu vice, mas pode chamá-lo de Senhor Nada". Fiquemos no campo de exemplos da província. Ainda não nasceu prefeito que suporte, de verdade, a presença de um vice nos arredores de seu gabinete. Quando isso acontece é pura encenação. Mentira da grossa. Prefeito quer distância do vice; no máximo, cozinha o infeliz em fogo baixo durante quatro anos, controlando sua influência como quem engana uma criança com uma caixa de pirulitos. Para vê-lo longe arranja um jeito de presenteá-lo com alguma "função importante"; especiamente uma que tome seu tempo e mantenha sua cabeça ocupada e distante, bem distante, das principais decisões de governo. Em Guaíra, por exemplo, o prefeito José Carlos Augusto, presenteou seu vice, Edvaldo Donizete Morais, com a presidência da Festa do Peão. O Parque do Peão é o "Nintendo DS" do vice-prefeito. Enquanto José Carlos governa, seu vice, tal qual um adolescente viciado em jogos eletrônicos, fica entorpecido organizando bretes e contratando shows de estrelas do universo sertanejo. Todo prefeito que tem juízo político dá um doce para o vice se lambuzar; afinal , crianças felizes não atrapalham a conversa dos adultos. Como já afirmou Catarina II, Imperatriz da Rússia, "o amo que tem bom senso não exige demais: poupa, ao contrário, a vaca para poder ordenhá-la mais tempo". É claro que a história está recheada de exemplos de "Senhores Nada" que acabaram por receber o poder de bandeja e até, em alguns casos, saíram-se razoavelmente bem. Porém, para que isso aconteça há apenas duas hipóteses: ou o governante cai, como foi com Collor e Itamar Franco; ou o prefeito morre: como foi com Fábio e Adnaer. Já se disse, de forma genial, que "os vices são como ciprestes; só crescem à beira dos túmulos". Ser candidato a vice é assumir as próprias limitações. É reconhecer que não dá para ser o "cabeça". É como o se o político que aceita esta condição numa disputa eleitoral dissesse, resignado, para si mesmo: "pra mim o pescoço tá bom...." É, sobretudo, passar recibo de ter nascido para ficar na beira do palco, organizando a primeira fila da claque para o outro, lá em cima, brilhar o tempo todo. É triste a vida de um vice.....fica os quatro anos correndo atrás de galinha preta e frequentando encruzilhada na esperança de que a macumba resolva o problema. Mas não adianta. Vaso ruim é que nem ânfora de sítio arqueológico; envelhece, petrifica... mas não quebra. Resta ao vice transformar-se num político rabugento , que vive reclamando da vida....do outro: "aquele desgraçado não morre !"

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