5 de nov de 2014

Alunos da Ufes denunciam professor por preconceito

Iara Diniz, no Geledés – Instituto da Mulher Negra

 “Eu detestaria ser atendido por um médico ou advogado negro”. A frase foi atribuída a um professor de Economia e teria sido dita durante uma aula polêmica na tarde desta segunda-feira (3), na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Durante a discussão, a maioria dos alunos deixou a sala, indignada com a atitude do mestre.O debate que revoltou os universitários aconteceu em uma aula de Introdução à Economia Política na turma do segundo período de Ciências Sociais. Um dos alunos levantou um questionamento sobre cotas na universidade, o que teria desencadeado a discussão.


 “Ele disse que os cotistas não conseguiam acompanhar as aulas como os outros alunos e que por isso ele tinha que usar uma linguagem mais acessível e baixar o nível das aulas dele para que todos pudessem compreendê-lo”, contou um estudante de 19 anos. 

A discussão se tornou ainda mais forte, quando, segundo os estudantes, o professor fez declarações preconceituosas. “Ele disse que os negros e pobres não tinham acesso à cultura, deixando claro que eles não atingiram o nível cultural dos brancos. Em seguida afirmou: ‘Estudantes cotistas diminuem a qualidade da universidade. Eu detestaria ser atendido por um médico ou advogado negro’”, relatou, indignada, uma aluna de 19 anos. 

Após o comentário do professor, a estudante, que é cotista, saiu indignada e ofendida da sala de aula. “Sou pobre e cotista e me senti ofendida. Uma outra aluna saiu chorando. Por mais que eu debatesse, ele é a autoridade ali”, afirmou. 

Após a discussão, os alunos procuraram a professora do Departamento de Ciências Sociais, Andréa Mongim, que possui um grupo de estudos sobre cotas, para pedir ajuda. “É um absurdo termos professores com essa concepção. É este tipo de preconceito que leva à evasão de muitos cotistas da universidade, e não a falta de capacidade”, declarou.

 Os alunos espalharam cartazes pela universidade com o título “Professor Racista”. Eles também recorreram às redes sociais para denunciar e repudiar a atitude do mestre. Uma denúncia administrativa foi elaborada pelo grupo de estudantes e encaminhada à Ouvidoria da Ufes. 

O nome do professor não está sendo divulgado porque ele não respondeu aos contatos de A Gazeta. 


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