21 de mar. de 2011

A FORÇA DE UM POVO.


Por Denir Ferreira dos Santos.
No meu último artigo, aqui neste espaço, explanei sobre a resiliência e como o nosso povo guairense é flexível para suportar e reverter às adversidades. Recebi inúmeras mensagens sobre o artigo e uma em especial me fez refletir muito. “... Hoje estamos vivendo em uma cidade cheia de atrocidades, onde perguntamos... Será que existem soluções que consigam minorar as diferenças, onde consigamos fazer em que o povo tenha coragem de botar a cara para bater, exigir que sejamos respeitados, exigir o que é de direito nosso? Guaíra será melhor quando o povo tirar as vendas dos olhos e respeitar a si próprio, caso contrário sempre será humilhado. Tirar o egocentrismo de suas vidas e enxergar que toda a cidade está sendo prejudicada junto com ele, não existe ninguém tão ignorante que não sinta que a cidade está um caos, uma vergonha... para ser bem clara. Tá na hora de todos acordarem...”, esse é um trecho da mensagem. Esta mensagem me fez lembrar a música “Admirável Gado Novo” de Zé Ramalho, onde há uma forte crítica social. A música fala de uma sociedade controlada, condicionada a viver em uma ordem estabelecida através do conformismo. Outro aspecto importante é que nesse “Mundo Novo” não há princípios morais e éticos. Não há espaço para o questionamento, pois elimina todas as dúvidas e continua a direcionar, é claro, de acordo a ordem dominante. É um mundo “admirável”, pois se apresenta como modelo exemplar de perfeição e ordem, contudo esconde as desigualdades e mazelas sociais. Outra faceta digna de maior discussão é a metáfora do gado. Afinal, que semelhanças podem obter pela ideologia do compositor, entre o "povo marcado" e o gado? De fato não haveria um ser melhor para representar a submissão e o conformismo do que o gado, que se deixa ordenhar, direcionar e guiar pelos seus "donos". A condição de manipulação e exploração a que se submete este animal ocorre desde a vida até a morte, na extração da carne para a alimentação humana. Parece-me que na leitura, na interpretação que fazemos diariamente sobre os fatos e acontecimentos político-sociais que chegam até nós, de forma massiva, através dos meios de comunicação de massa, não há espaço para a reflexão, dúvida, indignação e não aceitação do que nos é imposto, imposto a nós, Admirável Gado Novo. Notícias e opiniões são transmitidas as massas e assumem características de certezas matemáticas.
Na maioria das vezes, a interpretação de alguns fatos é acolhida como verdade absoluta. Nem mesmo, a denominada “dúvida espontânea”, equilíbrio entre a afirmação e a negação, se manifesta, pois não temos tempo suficiente para o raciocínio e a reflexão, para realizar os exames dos prós e contras. É justamente aos donos do poder que encontramos fortes críticas, pois é para eles que "lá fora faz um tempo confortável", procurando cuidar do normal e manter a "ordem" das coisas. Em relação a isso, o autor faz uma menção simbólica à perseguição aos opositores do regime e a forma como esse sistema era mantido com o "gado" à margem da realidade da situação. É utilizando a arma do simbolismo, da metáfora, da duplicidade de sentido que Zé Ramalho empreende sua crítica a esse estado de coisas e aos que mantêm essa situação. Essa condição de alienação e entorpecimento vivida pelo povo faz com que ele "contemple essa vida numa cela". Essa prisão nada mais é do que a ignorância, o assujeitamento, o conformismo que impossibilitam a visão crítica e transformadora da sociedade. Preso ao sistema e dirigido por vontades alheias, exatamente como o rebanho no curral. Acorda Guaíra.


Por Denir Ferreira dos Santos, o Denir Barulho, empresário e proprietário do Grupo Ao Barulho, presidente do Instituto Reviver e Clube de Empreendedores e líder do PSB local.
Fonte: http://denirbarulho.blogspot.com

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