2 de abr de 2012

Desculpe a minha educação, mas minha professora chama-se “Capoeira”!

Imagem Ilustrativa
Por Ademir Alves
Acredito que todos nós, temos um super herói, ou melhor, um referencial em nossa vida, desde a tenra idade até o fim de nossa vida. No meu caso, tive várias pessoas que continuam sendo referência em minha vida, quem de nós nunca projetou em nossos pais (biológicos) a imagem do herói da família? Ou qual criança que convive tanto tempo com os professores e educadores, mesmo inconscientemente nunca projetou uma imagem de um membro de sua família? Haja vista que eles sempre os chamam de “tio”.

Eu como cidadão, educador, aluno e discípulo falo sem medo de errar: há quase duas décadas, a minha professora chama-se “Capoeira”, porque ela se manifesta dentro de mim como rica manifestação da cultura popular brasileira que luta contra a discriminação, aflora sentimentos de amor, zelo, de competitividade, de entendimento, sabedoria, motivação, de valorização e de grande responsabilidade.

A minha professora chama-se “Capoeira”, porque ela é filosofia de vida, é um modo de ser e de agir diante das dificuldades impostas através dos caminhos que escolhemos por nossa vida.

Minha professora chama-se “Capoeira”, porque ela é história, geografia, arte, cultura, poesia, luta, esporte, jogo, terapia, lazer, religião, filosofia, educação física, política, defesa pessoal, música, enfim, a capoeira só não pode ser aquilo que não existe nessa vida. Capoeira é Vida, onde podemos deixar aflorarem todo sentimento humano numa espécie de universo cósmico integrador através das fortes vibrações do toque contagiante do berimbau.

Minha professora chama-se “Capoeira”, porque ela consegue ser escola (sem muros altos), através das rodas da vida e educadora formada com os mais belos traços do sentimento nacionalista, e em pleno século XXI, logo vem em mente um prédio, sala de aulas que nunca mudam a forma e muito menos o formato. Eu que passei por creche, escolas públicas, ONG e universidade, hoje em dia percebo que deveria ser investido muito mais na área de educação, em nível de Brasil, infelizmente, muitos jovens por não saber ler e escrever, podamos o direito aos jovens de desenvolver um grande potencial entre a juventude brasileira que poderiam alavancar o Brasil como potência nas áreas da tecnologia, humanas e exatas. E mesmo assim, ainda acredito que esse investimento deve ser numa educação mais “humana” e “igualitária” para “todos”.

Enfim, minha professora chama-se “Capoeira” por ela ser sinônimo de liberdade, igualdade e fraternidade. Assim como as principais ferramentas educacionais, a capoeira foi concebida por volta do século XVI, também com o propósito de libertar a vida de um povo (os negros no Brasil nunca tiveram o direito a indenização, mas eles também são obrigados a votar), bem como, o espírito humano, através de uma própria pedagogia libertadora e fraterna. Por outro lado, muitos de nós somos educados e educamos de acordo com o que acreditamos. Afinal de contas, somos educados pelos nossos pais, pela nossa família, pelos amigos, professores na escola, na universidade e acabamos sendo educados por nós mesmos através da escola da Vida. Enfim, acredito inteiramente que educação é um processo de construção, assim como a própria vida, a capoeira é viva e se transforma em todos os momentos: de luta a terapia; de ginástica a educação; de música a convivência; de geografia ao respeito; de história a gente de verdade, etc.

Finalizando, dificilmente eu viveria da forma mais humana e justa sem a “Capoeira”, porque através de sua forma afetiva, ela é minha melhor amiga, minha escola, conselheira, professora, minha família, profissão, minha paixão e meu futuro. Se a capoeira não fosse “Minha Professora” o que mais ela seria em minha vida?

Ademir Alves - Educador e professor de capoeira

E-mail: ademircapoeira@hotmail.com

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