4 de abr de 2012

Nosso amigo Conrado Vitali faz declarações, em seu blog:


CHEFES DE GABINETE E A PRÁTICA DO VODU
Já disse aqui, por reiteradas vezes, que não acredito em Deus. Em nenhum. Nem tão pouco em qualquer religião. De qualquer forma, não seria má idéia e até bastante divertido recomendar às tribos políticas que preparam para se matar a partir da indicação dos candidatos às eleições municipais que se iniciem no estudo do “vodu”, a crença sincrética que combina elementos do catolicismo e de religiões tribais da África. Afinal, chefes de gabinete, em qualquer lugar, costumam inspirar ações políticas que lembram a confecção de bonecos prontos a serem espetados por agulhas manuseadas por algum feiticeiro. Quer atingir o prefeito? Espete o vodu de seu assessor de maior confiança, aquele que costuma gerar ciúme entre os acólitos pelo proximidade que goza junto ao mandatário e pela indulgência interminável com que é tratado pelo comandante-em-chefe. Quer fazer o prefeito sentir dores lancinantes? Espete o vodu de sua sombra, aquele assessor que , se brincar, dorme ao seu lado ou em seu próprio leito como companhia onipresente. Quer escancarar a fraqueza de um governante que depositou poder demais nas mãos de um só assessor? Espete o vodu do próprio. O sofrimento e os espasmos certamente chegarão à medula do governante. É claro que falo da crônica tendência de chefes de gabinete – a maior parte deles – se tornarem o que se convencionou chamar de “prefeitinhos”. No poder guairense trabalhei com dois deles: José Antonio Lopes e José Reinaldo dos Santos Júnior. Tive problemas com os dois, em épocas distintas. No final dos anos 90, quando assumi como Secretário Municipal de Comunicação do Governo Cláudio Armani aos 27 anos cheguei à prefeitura embalado por uma avalanche de hormônios egocêntricos. Me achava o próprio boi preto do cú branco. É lógico que isso iria acabar em confusão e não demorou muito. Educado por meus pais a não lamber as botas de ninguém, queria ter acesso direto ao prefeito – cuja sala , não se iluda, sempre será controlada, de forma doentia, pelo chefe de gabinete da vez - e não aceitava ingerência na minha área. Discussões com o desafeto pipocaram diariamente. Lembro-me, certa vez, que a coisa foi tão feia que o prefeito precisou intervir pedindo calma. É evidente que no final das contas levei a pior; especialmente por minha inexperiência na época. Treze anos depois, não menos egocêntrico mas um pouco mais calculista, encontrei-me diante de situação parecida. Depois de atuar decisivamente na campanha do prefeito eleito – José Carlos Augusto – acabei por tornar-me seu conselheiro de comunicação institucional. Houve aí claramente uma divisão bem perceptível do antes e do depois da campanha. Quando comandei a estratégia vitoriosa de campanha de José Carlos agi como um déspota (e só por isso deu certo). Não prestava contas a ninguém e tomava todas as decisões praticamente sozinho, apenas comunicando o grupo e seus cardeais sobre os rumos que eu havia decidido. Como eu representava sua última esperança aceitaram jogar aquele jogo. Quando José Carlos assumiu a prefeitura e eu passei a atuar como seu conselheiro (no começo viajava de Brasília a Guaíra uma vez por mês e permanecia na cidade, em média, de dois a três dias) quis levar o mesmo modelo de trabalho para a atuação por dentro do poder. No começo deu certo mas na medida em que o tempo ia passando as coisas foram complicando. José Reinaldo, derrotado nas urnas como candidato a vereador mas escolhido chefe de gabinete do novo prefeito enxergou na indicação uma oportunidade única de sobrevivência e cravou as unhas no cargo. Com temperamento parecido com o meu embora com menos experiência de vida (sou dez anos mais velho), o novo chefe de gabinete , autorizado pelo prefeito, quis impor sua personalidade ao dia-a-dia da administração. De início, não interferiu na estrutura que montei para a comunicação institucional do governo com ênfase nas informações via web (transformei José Carlos no primeiro prefeito da história da cidade a utilizar um blog para comunicar-se com os cidadãos e o site da prefeitura num revista eletrônica diária com fatos e fotos ligados à administração pública). Como sou espaçoso e um vaidoso incorrigível, era poder demais nas minhas mãos para não deixar inseguro o chefe de gabinete. Na medida em que os meses foram passando , José Reinaldo, narcotizado pelo poder que o prefeito entregou em suas mãos, viu-se no direito de começar a dar palpites, cadaz vez mais freqüentes, no meu trabalho. Deu merda. Ora, o sujeito cuidou da comunicação de sua própria e fracassada campanha a vereador e eu, cuidei, sozinho, da campanha do prefeito levando-o à uma virada espetacular e à vitória nas urnas. Como é que eu poderia aceitar alguma ingerência de sua parte? Não dava pra abaixar a crista. Nem na bala. Não abaixei e nos desentendemos sem nunca, porém, chegarmos à falta de respeito. O desgaste foi tão inevitável quanto natural. Já desmotivado e atulhado de responsabilidades contratuais em Brasília, aproveitei o pretexto de um pequeno atraso no pagamento de meus honorários para chutar o balde. Deixei o governo. Meses depois o prefeito acabaria me pagando – com cheque pessoal (Santander Van Gogh) – o valor devido durante um almoço no dia 31 de dezembro de 2010. À mesa, além do próprio José Carlos, estavam José Reinaldo e mais um amigo em comum. Naquela oportunidade, disse aos dois o que já havia cansado de falar enquanto atuava como conselheiro do prefeito: “em 2012, na campanha, um de seus maiores problemas será seu chefe de gabinete. A forma dele tratar as pessoas e o poder que você transferiu a ele certamente serão como fígados do chefe do executivo expostos em praça pública”. José Reinaldo, que escutava calado, manifestou-se: “mas eu já melhorei muito...” E José Carlos completou: “de que vai adiantar eu me preocupar agora, vão falar mesmo disso durante a campanha....”. Ok. Pois então que estejam preparados. Os adversários vão praticar o “Vodu” num boneco com as feições de José Reinaldo para atingir José Carlos. A preocupação nem é com o tamanho das agulhas que os “feiticeiros” vão usar e sim em qual parte eles vão espetá-las....

Fonte: http://conradovitali.blogspot.com.br

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