5 de mai de 2012

PMs acusados de tortura e racismo são expulsos

Os dois policias militares acusados de terem torturado um morador do bairro Uberaba, em Curitiba, no dia 3 de março, dois dias após o início da instalação da primeira Unidade Paraná Seguro (UPSD) do estado, serão expulsos da corporação. O pedido de exclusão dos dois PMs seria assinado ainda na manhã desta sexta-feira (4) pelo comandante Geral da Polícia Militar,coronel Roberson Luiz Bondaruk. Em entrevista à imprensa, Bondaruk admitiu que o servente de pedreiro Ismael Ferreira da Conceição foi torturado pelos dois agentes da PM. Além do comandante, o advogado da Comissão do Movimento Negro de Curitiba, André Luiz Nunes da Silva, e a tenente Luci Belão do Núcleo de Direitos Humanos da PMPR, também acompanharam o pronunciamento à imprensa. Os nomes dos envolvidos, no entanto, não foram revelados pelo comando da PM. Ismael denunciou que foi abordado por duas viaturas policiais e levado para um local afastado, onde foi submetido a agressões e choques elétricos. Supostamente confundido com um assaltante, ele teria apanhado e ficado durante horas no porta-malas de um carro. O caso foi denunciado pela Comissão de Direitos Humanos da seção Paraná da Ordem dos Advogados do Brasil – seção Paraná (OAB-PR), e a PM abriu inquérito policial para apuração. Além de tortura, os policias também foram acusados de racismo. "Ele era trabalhador. Foi racismo", disse o advogado do Movimento Negro, ressaltando que a tortura aconteceu porque os policiais entenderam que o rapaz, por ser negro, era marginal. "Não admitimos este tipo de ação dentro da polícia. Hoje assinamos a expulsão dos dois que deve acontecer efetivamente nos próximos 30 dias", afirmou Bondaruk. De acordo com o comandante, serão investigados os "abusos perpetrados por policiais militares, um pouco antes da 1ª UPS do Paraná, na região do bairro Cajuru, que incorreram em tese, em abuso de autoridade e tortura". Ainda de acordo com ele, a partir de agora será instaurado um processo administrativo disciplinar. "Será avaliada pela comissão uma análise da vida profissional desses policiais".
Fonte:  www.geledes.org.br

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