18 de mai de 2012

SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE

Por nosso truta Conrado Vitali, em seu blog:
"O povo é um débil mental e assim será eternamente. Escreve na primeira pessoa para pensarem que sou eu. Quando morrer alguém, chore no meu lugar, feito uma carpideira cibernética"
Então você acha mesmo que quem escreve o blog do prefeito é ele? Otário. Mil vezes Otário.Governantes não têm tempo para se dedicar aos teclados , mouses e telas touch screen. Fingem que tem. Mentem que nem sentem. Em geral, colocam tudo na mão de assessores; os cães dos departamentos de comunicação. Acreditar que se está falando com o governante quando se posta comentários nas plataformas “pessoais” do chefe do executivo é o mesmo que ter certeza que aquela boazuda que aparece na foto do chat de sexo é , de fato, quem está trocando mensagens com você. Otário. Mil vezes otário. Você está se masturbando para uma máquina de gerenciamento eletrônico ou, no máximo, fazendo juras de tesão à uma baranga desdentada (isso é quase um pleonasmo) que trabalha num cortiço de telemarketing lá em Bangladesh. Por que digo isso? Porque já fui um dos basset hounds (aqueles cachorrinhos que arrastam a orelha no chão) da comunicação oficial. Porque durante 17 meses, de janeiro de 2009 aos primeiros dias de agosto de 2010,período em que servi como consultor de comunicação do prefeito José Carlos Augusto, fui cúmplice da mentira continuada. Ainda no início de janeiro de 2009, enquanto José Carlos tinha um comboio de problemas para resolver como prefeito recém-empossado, eu , disposto a revolucionar a forma como chefes do executivo guairense se comunicavam com a população, criei seu blog. A plataforma, que existe até hoje, é um monumento à cafajestagem eletrônica. Não no sentido do que é postado mas sim no contexto de como é feito. Durante todo o tempo em que pilotei o blog, o prefeito jamais postou uma letra. Eu falava por ele. Aqui de Brasília mesmo. Lembro-me que quando morria alguém em Guaíra eu tinha de postar nota de pesar com algum grau de intimidade para garantir que o post fosse verossímel. Eu, então, que mal conhecia o defunto, derramava lágrimas com a assinatura do prefeito. Vez ou outra avisava o prefeito com mínima antecedência para prepará-lo para possíveis repercussões ou abordagens populares. Nada além disso. Eu postava, moderava comentários e decidia aqueles que seriam publicados. Tudo a 700 quilômetros de distância, no conforto do meu escritório. Se é possível que depois de minha saída o blog “pessoal” do prefeito tenha passado a ser atualizado pelo próprio? Suspeito, e muito, que não. Ocupantes de cargos majoritários têm demais a fazer. No poder público,cada dia começa com uma nova agonia. O cara, muito raramente, acessa o próprio blog. No máximo, a matilha de dublês da comunicação fornece clippings ou resumos verbais de como a coisa anda. É assim que funciona e se disserem o contrário estarão mentindo tanto quanto o “prefeito blogueiro”. Desenho diferente tem a home page oficial do governo. Também fui o responsável pela criação do conceito de atualização diária do site da prefeitura de Guaíra e trata-se de um excelente instrumento de comunicação. Na minha época era tão rápido e eficaz que os jornais da terrinha “folgaram”. Ficou fácil demais divulgar o que acontecia no âmbito do executivo. Era só acessar o site da prefeitura, copiar e colar. O “repórter” do jornal não precisava tirar a bunda da cadeira. Estava tudo lá, mastigadinho, com fotos, textos e vídeos. Certamente este é o maior legado de comunicação que deixei na administração guairense. O site oficial que inauguramos em janeiro de 2009 mostrou-se enormemente eficaz em seu ritmo de revista eletrônica diária do município e deixou evidente que o site anterior, criado pela administração Sérgio de Mello, era um lixo. É preciso ,portanto, identificar as diferenças. Sites oficiais, pela própria estrutura e dimensão, são plataformas atualizadas por equipes de profissionais da comunicação. É legítimo e correto que assim seja. Agora chamar de “pessoal” um blog cuja atualização é feita, na primeira pessoa do singular, por um ou mais assessores é, no mínimo, considerar o leitor um imbecil, ou, para ser “politicamente correto”, um portador de necessidade especial mental. Neste sentido – o do povo imbecil – o prefeito está certo. Seu julgamento pragmático é correto e é por isso que ele não se importa em colocar um boneco de ventríloquo para falar por ele. Um julgamento tão correto quanto a sentença antológica de Nelson Rodrigues acerca da arraia-miúda: “O povo é um débil mental.Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será eternamente".
Fonte: http://conradovitali.blogspot.com.br

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