26 de jan de 2013

ROSCAS , CANECAS E OS FODIDOS DE SEMPRE

Por Conrado Vitali de Oliveira, em seu Facebook 
Toda profissão tem sua fauna de fracassados. Em geral, trata-se de gente recalcada que aprendeu a viver com pouco como se isso fosse alguma vantagem. No caso dos coleguinhas da escrita, são os poetas pobretões. Como sabem que não vão passar do segundo degrau da pirâmide social, contentam-se com carros usados, casas mal acabadas, roupas cafonas e empregos miseráveis. Alimentam, diligentes, a ditadura dos ofendidos. Acham que sua condição é “heroica”, “um exemplo a ser seguido”. Como se humildade e pão com mortadela os protegesse da crítica inteligente de concorrentes vencedores. São antigos e recorrentes fregueses em qualquer disputa travada com os raros “colegas” talentosos que lhes causam tanta repulsa. Quando alguém os lembra que são perdedores contumazes, fadados a vender rosquinhas e canecas para completar o orçamento, posam de oprimidos. Na verdade, bem lá no fundo de sua baixa autoestima crônica, gostariam de poder experimentar o pódio de quem os massacra com o pé nas costas. Tentam. Tentam de novo. Tentam mais uma vez...mas a única certeza que os esbofeteia é a percepção de que são limitados, extremamente limitados. Aquela voz do bom senso sempre lhes diz, baixinho, dilacerando seu orgulho: “sou um fodido; meu mundinho é esse mesmo; não adianta forçar a barra...pau que nasce torto vai morrer torto....mas tá bom assim....pra que uma vida melhor? Tomo minha cervejinha e como minha carne de panela....encontrei a felicidade assim....” Sei; então tá. O que mais os ofende é a certeza que carregam dentro de si (sem assumir isso, é claro) de terem nascido para serem presas fáceis na cadeia alimentar da profissão. Como membros da Ditadura dos Ofendidos e do Clube dos Amigos do Politicamente Correto, sempre sacam a mesma justificativa, lembrando de sua infância “humilde, “de dificuldades”, “sem oportunidades” para poder dizer, no final do choro piegas, que são “sobreviventes” e por isso sua situação “já está de bom tamanho”. Conversa de perdedor. Desculpa esfarrapada de quem não procurou prosperar. Pretexto de quem não teve ambição e agora tem de olhar pra família, especialmente pra esposa, e lembrá-la que no altar ela prometeu, perante o “Criador” ( como a religião é ópio dos oprimidos, sim, eles são confessionais; buscam alento nos céus onde imaginam que poderão desfrutar de uma igualdade que não conseguiram na vida mundana), ficar ao seu lado na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza. Como a vida não é um altar e quando a coisa aperta não há serviço de sacerdote delivery que dê jeito; essa conversinha de frouxo não convence nem a mais franciscana das mulheres. A sensação permanente de derrota os cega; os faz delirar. Alimentam, num esquema psicológico de autossabotagem, a ilusão patética de que são “respeitados”, “influentes” e que tem “força” para mudar alguma coisa. Ora, se não conseguiram mudar sequer suas vidinhas suburbanas como conseguirão mudar a rotação do planeta? Ora, francamente....coloquem o rabo entre as pernas e procurem vender mais rosquinhas e canecas. Quem sabe dá para comprar aquele vestido em 24 vezes que sua esposa está pedindo desde o Natal retrasado.... “Amooooorrrrrr....tá saindo mais uma fornada de rosquinhas....”

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